A FILOSOFIA PARA CRIANÇAS COMO ALTERNATIVA PARA O ENSINO DA FILOSOFIA


Juarez Gomes Sofiste (Chefe do departamento de Filosofia da UFJF)

Resumo: O presente comunicação faz algumas considerações sobre o ensino da filosofia e apresenta o Programa de Filosofia para Crianças do professor Matthew Lipman como alternativa para o ensino da filosofia no primeiro e segundo graus.
Palavras-chave: filosofia, ensino,educação, pensar.

Abstract : This paper discusses the study of philosophy in the primary school and presentes the Matthew Lipman’s Program of Philosophy for Children as a satisfactory alternative to achieve the educational purposes of the discipline called philosophy.
Key-words: philosophy, education, teaching, thinking.


Um dos primeiros problemas que se vê obrigado a abordar o estudioso do ensino da filosofia é, diferentemente de qualquer outra matéria, o problema de sua necessidade ou não, quer dizer: justifica-se o ensino da filosofia? Ora se a filosofia fosse um bem de primeira necessidade ou se houvesse consenso em torno da sua importância, tal questionamento seria inoportuno, visto que, provavelmente a filosofia se imporia por si mesma. Ninguém, por exemplo, pergunta sobre a necessidade do ensino da língua materna.

Do ponto de vista histórico, existe uma tendência muito forte na afirmação de que as razões pelas quais a filosofia foi excluída do ensino médio são de ordem política e ideológica. É nesta linha de pensamento, por exemplo, que a prof. Maria Teresa Penteado Cartolano no livro Filosofia no ensino de 2o. grau, justifica a extinção de seu ensino. Segundo a autora a partir do golpe político militar de 64, com a resolução (nº 36, de 30/12/68) do Conselho Estadual de Educação o campo de atuação da filosofia foi limitado, tornando-a disciplina optativa em cada estabelecimento de ensino. Sua absoluta extinção como disciplina foi pensadamente preparada através de uma série de leis, decretos, pareceres e resoluções do Conselho Federal de Educação e do Conselho Estadual de Educação do Estado de São Paulo, que, neste caso, centralizavam as decisões da área educacional. A legislação instituída na época era um reflexo das propostas acordadas entre o MEC e USAID. A educação, segundo a autora, passa a ser tratada como uma questão do desenvolvimento do país e da segurança nacional, a filosofia, não atendendo a tais solicitações tecnoburocráticas e político-ideológicas, já não interessava aos objetivos que se pretendiam instituir na estrutura do ensino brasileiro. A condição de disciplina optativa, segundo previa a resolução n.º 376, de 30 de dezembro de 1968, veio facilitar a supressão definitiva da filosofia em 1971, com a Lei 5692.

Segundo o professor Sérgio Pereira da Silva “a filosofia perdeu o seu espaço, como disciplina no ensino Médio, muito mais em função da ideologia técnico-desenvolvimentista que conquistou hegemonia entre os educadores, no final da década de sessenta e durante a de setenta”. Para o professor nem sequer foi necessário um dispositivo legal que proibisse a permanência do ensino da filosofia.

A princípio partilhávamos de tal leitura, mas cada vez aumenta nossa convicção de que a filosofia “morreu” de morte “morrida” ou seja, pura e simplesmente não se afirmou como necessária. Ora, se a razão fundamental da exclusão da filosofia é uma certa perseguição política; por que, hoje, não havendo a tal perseguição, a filosofia continua sendo excluída?

A partir da década de 70 teve início um grande debate em nível nacional sobre o ensino da filosofia. A Editora Convívio em 1978 promoveu um Encontro Nacional de Professores de Filosofia com o tema: A filosofia e o ensino da filosofia, onde, ironicamente, comentava-se que o objetivo do Encontro de Professores de Filosofia era propor e defender a tese da supressão da filosofia em todos os níveis de ensino. Ou como afirmou, não ironicamente, George Gusdorf na conferência de abertura do encontro: “A filosofia e a universidade têm isto em comum: brilham neste mundo pela sua ausência”.

Como resultado deste grande debate tivemos, em primeiro lugar, uma corrida das editoras na produção, sob encomenda, de livros didáticos para o ensino da filosofia e , em segundo lugar, a formação de grupos de estudos com a promoção de simpósios, seminários, semanas de estudos, etc., o que resultou na produção de muito material sobre a temática. Passados mais de vinte anos, o debate continua atual e o ensino da filosofia, de acordo com nossa leitura, continua uma questão mal resolvida. Para tal uma pequena olhada nas propostas veiculadas pelos defensores da filosofia para confirmarmos que seu ensino ainda é um tema por demais confuso. O que esperar de uma disciplina da qual não podemos dizer ao certo o que é, o que visa e a quem serve?

Assim, ao lado de entendê-la como uma super disciplina, de modo que, bastaria a sua inclusão, por exemplo, no ensino médio e teríamos estudantes mais críticos e reflexivos, temos propostas por demais audaciosas e, em geral, fora da realidade. Como, por exemplo, o programa defendido pelo professor João Paulo Monteiro, segundo o professor: 1- O ensino da filosofia no secundário deverá aliar o estudo da história da filosofia com a discussão de temas filosóficos; 2- Os dois eixos acima mencionados deveriam constituir o fundamento da organização educacional da área filosófica em nível secundário. Tal organização deverá levar em conta a minoria de estudantes que mais tarde optará pelos cursos de filosofia. Portanto, a preparação secundária em filosofia deve fazer-se entre um máximo de disciplinas, destinadas sobretudo ao aluno que planeja fazer mais tarde o curso universitário de filosofia, e um mínimo destinado aos outros estudantes; 3- O conjunto mínimo de disciplinas deveria incluir uma iniciação à história da Filosofia e uma outra mais voltada para a atualidade filosófica; 4- No extremo oposto a este mínimo se situaria o conjunto máximo, composto de quatro disciplinas: História da filosofia, Iniciação à filosofia atual, Lógica e filosofia da ciência, Filosofia Moral e política.

O documento do MEC, “Padrões de qualidade,” entende que o papel da filosofia no ensino médio é prestar uma essencial contribuição, tanto para a “compreensão do significado da ciência, das letras e das artes”, quanto para “o exercício da cidadania”. O documento cobra dos cursos de filosofia uma especial atenção com a formação do professor de filosofia, mas não apresenta novidade alguma em relação ao seu ensino.

De acordo com nossa hipótese de trabalho o sentido e a tarefa do ensino da filosofia no primeiro e segundo graus é “Ensinar a Pensar”. Acreditamos que tal questão não foi suficientemente levada em consideração, tanto no nível dos debates quanto às formulações das propostas de programas. E para nós esta é uma das principais causas do fracasso do ensino da filosofia. Não aceitamos que foram perseguição política e ideológica os principais fatores responsáveis pelo insucesso do ensino da filosofia no primeiro e segundo graus. Não seria a confusão reinante em relação ao ensino da filosofia, onde cada um faz o que lhe parece melhor, sua maior ameaça?

Partimos do pressuposto de que a questão do ensino da filosofia precisa de uma mudança do eixo das discussões: ao invés de perguntarmos se é mais adequado trabalhar com temas antigos ou modernos, se com história da filosofia ou lógica, se ética ou metafísica, deveríamos perguntar como, apoiados na filosofia, promovermos uma educação para o pensar?

Não se afirmando como necessária, buscam-se outras vias para garantir o ensino da filosofia, como, por exemplo, pela obrigatoriedade da lei ou pela cobrança de seus conteúdos no vestibular, o que consideramos um verdadeiro absurdo, como já é realidade na Universidade Federal do Triângulo.

A obrigatoriedade do ensino da filosofia, pela força da lei ou qualquer outro recurso, não é uma boa razão a demostrar que de fato ela não é uma necessidade intrínseca? Se de fato fosse uma necessidade e se houvesse uma consciência de sua importância seriam necessários sua imposição por força da lei ou cobrança de seus conteúdos no vestibular?

O grande debate das ultimas três décadas sobre o ensino da filosofia, na verdade, consistiu, também, num movimento de pressão para o retorno da filosofia na educação de primeiro e segundo graus. Na perspectiva da legalidade podemos afirmar que o movimento foi vitorioso, visto que, a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, ( Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1997), em seu artigo 36 determina, no parágrafo primeiro, que “os conteúdos, as metodologias e as formas de avaliação serão organizadas de tal forma que ao final do ensino médio o educando demostre: (...) III . domínio dos conhecimentos de Filosofia e Sociologia necessários ao exercício da cidadania”.

Na leitura do documento do MEC - “Padrões de Qualidade”- , afirma-se: “ De qualquer maneira que seja regulamentado este artigo 36 da nova LDB, é evidente que o ensino da Filosofia se expandirá de maneira rápida, tornando-se urgente mesmo o reforço quantitativo e qualitativo dos cursos que preparam os professores para o ensino médio, principalmente as Licenciaturas”. De acordo com a leitura que fazemos, a ausência da filosofia, como disciplina regular, na educação de primeiro e segundo graus, não deve ser imputada à falta ou não de uma legislação que a obrigue de forma compulsória, mas deve-se, sobretudo, ao fato de ela própria não se impor como conteúdo necessário, agradável e capaz de seduzir os próprios alunos. Mas por outro lado, achamos absolutamente justas as recomendações do documento em relação à formação do professor: “ Deverão merecer especial atenção as condições sob as quais o licenciado em filosofa será formado, não se tratando de apenas “agregar” disciplinas ditas “pedagógicas a um currículo mínimo de disciplinas ditas “específicas”, mas sim de produzir um processo de formação integrada, que prepare o licenciado para o exercício de suas tarefas didáticas na escola”.(MEC - Op. Cit. p.03)

Diante de um quadro minimamente indicado, podemos perguntar: já não é tempo de justificar o ensino da filosofia pelos seus resultados, ao invés de lindas argumentações ou pela obrigatoriedade da lei? Trabalhamos com a idéia de que a filosofia não é um conteúdo a ser ensinado mas, ao contrário, como defende Lipman: a filosofia tem como tarefa fundamental o ensinar a pensar e o caminho para tal é mediante o fazer filosofia. Portanto não se trata de ensinar história da filosofia, ética , epistemologia, estética ou qualquer outra disciplina filosófica no primeiro e segundo graus, tal tarefa é para graduação e pós-graduação. Devemos, sim, buscar nestas disciplinas os elementos necessários para construirmos uma educação para o pensar.

Neste sentido estamos tendo uma experiência significativa no Departamento de Filosofia (DFIL) da Universidade Federal de Juiz de Fora. (UFJF). Depois de reavaliar seus trabalhos e sua realidade acadêmica global, o DFIL definiu coordenadas de prioridades visando o aprimoramento de suas ações acadêmicas. Em relação à formação do professor, diversas ações foram implementadas com o objetivo de melhorar a qualidade da formação do futuro professor de filosofia. Dentre elas a criação e implementação do Núcleo de Estudos e Pesquisa de Filosofia na Educação (NEFE) . Sob minha coordenação estruturamos um “grupo de trabalho” que tem desenvolvido diversas atividades sobre a temática, como por exemplo: pesquisa e extensão - “Filosofia no 2o. grau: diagnóstico e propostas de ação”, registro 019184/95-60; pesquisa e ensino- Programa de aulas experimentais, registro nº 18239/96-03, pesquisa e ensino- Programa de de Treinamento Profissional- Filosofia para crianças - registro nº 233071-016099/96-67. Pesquisa - Leitura latino-americana do programa de filosofia para crianças: Freire e Lipman , registro nº 14481/97-90.

Com o trabalho de pesquisa e extensão de 1995- Filosofia no segundo grau: diagnóstico e propostas de ação - sentimos um certo desânimo em relação às perspectivas do ensino da filosofia tal como vem sendo discutido e proposto. A partir de então, iniciamos um processo de mudança em nossas ações, exorcizando o ensino da filosofia tal como tradicionalmente se fez, ou seja, apenas conteudesco.

Os princípios que passaram a nortear nossas ações foram: 1- Não é a lei que garantirá o sucesso do ensino da filosofia no primeiro e segundo graus; 2- O objetivo da filosofia no primeiro e segundo graus não é a formação de filósofos, portanto, fica descartada a idéia de estabelecer programas a partir de disciplinas do curso de filosofia.(cultura filosófica); 3- O papel da filosofia é contribuir na formação de estudantes para que pensem melhor, isto é, sejam capazes de refletir com inteligência sobre questões previamente definidas. 4- A importância e a necessidade da filosofia será reconhecida quando os professores de filosofia tornarem esse saber desejado por aqueles aos quais é dirigido. 5- O ensino da filosofia no primeiro e segundo graus deverá ser um Programa de Educação para o Pensar.

Nossa aproximação com o programa de filosofia para crianças foi justamente por entendermos que Matthew Lipman teve uma percepção brilhante ao buscar caminhos concretos para o ensino da filosofia. É o que estamos experimentando com a implantação do Programa de Lipman na rede pública e rede privada de educação de Juiz de Fora. Assim sendo, indicamos os caminhos de Lipman como uma alternativa para o ensino da filosofia no primeiro e segundo graus.

Por que Matthew Lipman?


Em primeiro lugar pela sua contribuição ao ensino da filosofia. Um dos aspectos mais problemáticos no que diz respeito ao ensino da filosofia é o como fazer da aula de filosofia, “filosofia” e não meramente cultura filosófica. Os trabalhos que estamos realizando nesta área têm revelado que um dos problemas fundamentais, bem como uma das razões para a não aceitação da filosofia é justamente o equívoco muito comum entre nós, professores de filosofia , em confundir “filosofia” com “cultura filosófica”. Neste sentido é pertinente a observação de Heidegger:

Os equívocos de que a filosofia se vê constantemente cercada são mais fomentados pelo que nós mesmos fazemos, i é, pelos professores de filosofia. Com efeito, nossa tarefa habitual - justificada e até útil - consiste em proporcionar certo conhecimento informativo das filosofias até agora surgidas, o que aparece como sendo a própria filosofia, quando, no mínimo, é apenas ciência filosófica.

Em geral os livros dedicados ao ensino da filosofia, principalmente os de segundo grau e cursos básicos do ensino superior são roteiros de cultura filosófica. Como bem diz o professor Regis de Morais, tais obras servem apenas para atenazar a vida e a cabeça dos estudantes. “Uma coisa mumificada que não bule nem com o sangue nem com os entusiasmos dos estudantes”.( Reflexão. PUCCAMP. Ano XV. jan/abr. de l989. p. 07)

Em relação à dificuldade acima indicada, o nosso interesse em relação a Matthew Lipman é justamente pelo fato de entendermos que um dos grandes méritos de sua proposta pedagógica é justamente o de apontar caminhos concretos de como “fazer filosofia” e não apenas “cultura filosófica”.

Por outro lado, é evidente a contribuição da filosofia em relação à educação em geral. Hoje é lugar comum o reconhecimento da importância da filosofia na construção de uma educação para o pensar, como por exemplo na proposta de Conteúdos Básicos para o Ciclo Básico de Alfabetização (CBA) da Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais, que em relação aos Métodos de ensino propõe: “Defende-se, nesta proposta curricular, a adoção de didáticas mais atualizadas no ‘aprender a aprender’ ou no ‘saber pensar’, cujo móvel fundamental é a atitude de pesquisa”(p.17) Ou os Parâmentros Curriculares Nacionais que propõem como um dos objetivos do ensino fundamental que os alunos sejam capazes de: “questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição , a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação.” (p.108)

A questão que colocamos é: Como fazer uma educação para o pensar? Como ensinar a aprender? Como desenvolver a capacidade de análise crítica?

Indiscutivelmente a filosofia poderá dar grande contribuição a tal propósito. Mas, como buscar na filosofia a sua verdadeira contribuição à educação? É justamente o que Matthew Lipman indica no Programa de Filosofia para Crianças: o como fazer uma educação para o pensar. E não seria este o objetivo fundamental da filosofia na educação de primeiro e segundo graus?

Uma das teses de Lipman é a de que o pensar é uma atividade que não se adquire espontaneamente, portanto precisa ser desenvolvida. E isso é justamente o que tematiza em seu método inovador de educação para o pensar. Não se trata de “decorar” nomes de filósofos e suas doutrinas, pois o projeto pedagógico de Lipman é a tentativa de uma educação integral: seu programa aposta no diálogo, na “Comunidade de Investigação”, a partir de histórias, especialmente preparadas para instigar nos alunos a dúvida e o hábito de levantar e problematizar questões que nunca se fecham numa resposta pronta. Uma educação calcada apenas na transmissão do conhecimento, segundo Lipman, é incapaz de responder às exigências de uma sociedade em profundas transformações:

Na perspectiva do saber tradicional, o objetivo da educação é tomar as crianças ignorantes e torná-las cultas através da transmissão do conhecimento possuído pelos adultos. (...) Embora seja um modelo perfeito para uma tribo relativamente fixa- isto é, bem adaptada a um ambiente imutável- é virtualmente suicida para uma sociedade em que a mudança ocorre numa velocidade tal que o conhecimento que nos capacita para trabalhar com sucesso hoje será obsoleto daqui a uma década. (Lipman, 8 p.55)

O projeto pedagógico de Lipman é articulado na perspectiva da investigação. O Programa de Filosofia para Crianças tem como meta fundamental a transformação da sala de aula numa Comunidade de Investigação. Onde:

os alunos dividem opiniões com respeito, desenvolvem questões a partir das idéias de outros, desafiam-se entre si para fornecer razões a opiniões até então não apoiadas, auxiliarem uns aos outros ao fazer inferências daquilo que foi afirmado e buscar identificar as suposições de cada um. ( Lipman 09, p. 31)

A condição fundamental para a instauração da Comunidade de Investigação é o diálogo que vai além da dimensão professor-aluno. Na Comunidade de Investigação o diálogo passa a circunscrever todos os aspectos, fundamentalmente entre aluno-aluno e aluno-professor. Nesta perspectiva o professor deixa de ser visto como autoridade informacional. Diz Lipman:

Quando o professor é visto como uma fonte de informações, ... Isso cria um padrão de intercâmbio aluno-professor que frustra o objetivo da filosofia para crianças porque mina a noção de Comunidade e, em seu lugar, legitima a noção do professor enquanto autoridade informativa, e dos alunos enquanto aprendizes ignorantes. Numa Comunidade de Investigação, professores e alunos estão juntos como co-investigadores, e o professor tenta promover isto encorajando o intercâmbio aluno-aluno, tanto quanto aluno-professor. (Issao e Guga, Manual do professor. P. 21)

Esta relação dialógica proporciona uma nova dimensão de afetividade, uma nova compreensão do outro como agente facilitador para a construção do conhecimento e coloca em cheque a postura do professor como único pólo de difusão do saber, significando assim que “o professor deve renunciar ao papel de autoridade informativa,
não ao papel de autoridade instrutiva”( Issao e Guga Op. Cit. p. 21) . O professor passa a integrar-se como um participante cuja opinião não é conclusiva.

Com sua proposta de Filosofia para Crianças - Educação para o Pensar - o prof. Lipman desenvolve uma metodologia que trabalha uma das questões que consideramos ser uma das principais exigências da educação hoje: “ensinar a Pensar”. Trabalhamos com a hipótese de que este é o sentido e a tarefa do ensino da filosofia no primeiro e segundo graus, e que , portanto, os cursos de formação de professores de filosofia, no Brasil, deveriam da uma especial atenção ao Programa de Filosofia para Crianças do Professor Matthew Lipman.

BIBLIOGRAFIA:

01- ANTONIAZZI, Alberto. O filósofo volta ao mercado. Atualização, nº 9., p. 560-
566. 1978
02- ASSMAN, Hugo. Paradigmas educacionais e corporeidade. 2 ed. Piracicaba:
UNIMEP, 1995
03- ASSMAN, Hugo. Alguns toques na questão “O que significa aprender?” Impulso:
Revista de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Metodista de Piracicaba
Vol.10, 1997. N.º. 21. Págs.71-82
04- CABRAL, Roque. Filosofia no ensino secundário e na universidade.: continuidade
ou ruptura? Presença filosófica. Rio de Janeiro- Vol. XVI , nº 1. P. 109-114
05- CORDI, Cassiano et alii. Para filosofar. São Paulo: Scipione, 1995
06- GIANNOTTI, José Artur. Ser ou não ser professor de filosofia. Reflexão. Ano V, nº
p. 30-33. Set/dez, 1980
07- LAGUEUX, Maurice. Por que ensinar filosofia? Reflexão. Ano V, nº 18, p. 12-29
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08- LIPMAN, Matthew. A filosofia vai à escola. Trad. Maria Elice de B. Prestes e Lucia S. Kremer. São Paulo: Summus, 1990
09- --------O pensar na educação. Trad. De Ann Mary Fighiera Perpétuo. Petrópolis: Vozes, 1995.
10- LIPMAN, Matthew, SHARP, Ann Margaret e OSCANYAN, Frederick S. A filosofia na sala de aula. Trad. Ana Luiza Falcone. São Paulo: Nova Alexandria, 1994
11- MARIA, Joaquim Parron. Novos paradigmas pedagógicos - para uma filosofia da educação. São Paulo: Paulus, 1996.
12- MORAIS, Regis de. Filosofia no 2o. grau: uma inovação que tomei aos antigos
Reflexão. Filosofia no 2o. grau. Campinas. Vol. XV. Nº 43. jan./abril/1989 p. 07

13- NAVIA. Ricardo J. El problema de la motivación en la enseñanza media de la
filosofia- La enseñanza media de la filosofia. Reflexão. Filosofia no 2o. grau.
Campinas. Vol. XV. Nº 43. p. 26-34. jan./abril/1989

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http://www.ufjf.br/pensandobem

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